| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Pelecaniformes |
| Família: | Ardeidae |
| Leach, 1820 | |
| Espécie: | A. alba |
A garça-branca-grande (Ardea alba, sinônimo Casmerodius albus), também conhecida apenas como garça-branca, é uma ave da ordem Pelecaniformes. É comum à beira dos lagos, rios e banhados. Foi muito caçada para a retirada de egretas - penas especiais que se formam no período reprodutivo - para a indústria de chapéus para mulheres.
Seu nome científico significa: do (latim) ardea = garça; e do (latim) alba, albus = sem brilho, branco. ⇒ Garça branca.
Mede entre 65 e 104 centímetros de comprimento e pesa entre 700 e 1700 g (Martínez-Vilalta, Motis, e Kirwan, 2016). É uma das mais elegantes garças brancas. De plumagem inteiramente branca, o que, juntamente com o seu grande tamanho, suas longas pernas e pescoço, a torna uma ave inconfundível. O pescoço muito longo forma um S característico em repouso. O bico é longo e amarelo ou amarelo-alaranjado, pernas e dedos pretos e íris amarela. O loro pode ser esverdeado. Conforme a época da reprodução se aproxima, penas longas e ornamentais chamadas egretas aparecem nas costas, na parte inferior do pescoço e no peito, podendo medir 50 cm ou mais, que servirão como elementos de sedução durante o namoro.
Possui três subespécies reconhecidas, que são diagnosticadas pelo tamanho do corpo e, principalmente, pela cor das partes nuas (bico e pernas) quando os adultos estão em condições de reprodução:
(Clements checklist, 2016).
Alguns autores consideram uma quarta subespécie:
(del Hoyo, J.; et al., 2014).
Alimenta-se principalmente de peixes, mas já foi vista comendo quase tudo o que possa caber em seu bico. Pode consumir pequenos roedores, anfíbios, répteis como lagartos Ameiva ameiva (Pommer-Barbosa et al., 2021), insetos, pequenas aves e até lixo. Em pesqueiros aproxima-se muito dos pescadores para pegar pequenos peixes por eles dispensados, chegando a comer na mão. É muito inteligente e pode usar pedaços de pão como isca para atrair os peixes dos quais se alimenta. Engole às vezes cobras e preás. Aproxima-se sorrateiramente com o corpo abaixado e o pescoço recolhido e bica seu alimento, esticando seu longo pescoço. Há relatos de pessoas que afirmam que ataca ninhos de pequenas aves em áreas de mangue onde costuma se alimentar. Quando está caçando, avança em um ritmo bastante lento, em águas bastante profundas ou em terra seca, dependendo da presa procurada. Pode ficar parada, se necessário, por longos períodos. Sabe como usar uma perna para mexer a água e, assim, espantar a presa, que é capturada. A presa é arpoada com o bico, o que prova ser uma arma muito eficaz devido à rapidez do pássaro no relaxamento do pescoço.
Sendo uma ave cosmopolita, a época da reprodução depende da subespécie e de sua distribuição. Na época da reprodução os indivíduos de ambos os sexos apresentam longas penas no dorso chamadas egretas. Estas egretas foram por muito tempo moda como adorno de chapéus e roupas na Europa e a demanda pelas penas levou centenas de milhares de garças à morte justamente em seu período reprodutivo. Felizmente é uma prática quase inexistente hoje em dia e a população desta garça é bem numerosa. Pode aninhar-se sozinha, mas na maioria das vezes o faz em colônias, que podem ter centenas a milhares de indivíduos, na companhia de outras espécies de ardeidae ou de outras famílias (íbis, colhereiros, corvos-marinhos etc.). O ninho é uma plataforma solta feita de gravetos, caules de plantas aquáticas, com um metro de diâmetro em média e 20 cm de espessura. Os adultos adicionam material na periferia do ninho, até que os jovens voem. O mesmo ninho pode ser reutilizado no ano seguinte se tiver sobrevivido ao mau tempo. A fêmea põe 4-5 ovos lisos, azul esverdeados ou azuis claros. A incubação dura 23 ou 24 dias, e é feita pelo casal. Os pintinhos são seminidífugos e aventuram-se, assim que completam 15 dias, nos galhos ao redor do ninho. Ambos os pais os alimentam por regurgitação diretamente na garganta. Começam a realizar voos curtos com 35 a 40 dias de idade.
Ocupa uma grande variedade de áreas úmidas, seja na costa ou no interior, e até em ambientes terrestres localmente. Vive em grupos de vários animais à beira de rios, lagos e banhados. É migratória, realizando pequenos deslocamentos locais ou mesmo se deslocando para além dos Andes durante os períodos de enchentes anuais. Passa voando em áreas urbanas indo para dormitórios. Tem atividade diurna. À noite, reúnem-se em grande número nos dormitórios comunitários em árvores, localizadas em áreas com pouca ou nenhuma perturbação. As asas longas e largas dão-lhe um voo majestoso devido a batidas amplas e lentas das asas. O voo é direto e sustentado, com batidas de asas regulares, sendo o deslizamento usado apenas quando se aproxima do destino, quando desliza em direção ao solo.
Voz: bissilábico “ha-tá”; quando voa baixo um “rat, rat, rat…”. Quando preocupada, emite um “kraaaah” muito alto e rouco durante o voo. Em suas áreas de reprodução, o vocabulário é diversificado durante o namoro, entre o casal, ou nas interações entre indivíduos na colônia.
R (Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos). É uma espécie cosmopolita, ausente apenas do continente antártico. Nas Américas, ocorre da América do Norte ao estreito de Magalhães, em todo o Brasil. No Brasil é encontrada principalmente no Pantanal, costas do sudeste, nordeste, norte e rios de todo o território.
Consulta bibliográfica sobre as subespécies: